Transferência e vínculo terapêutico

Transferência e vínculo terapêutico

A transferência em contexto analítico, muitas vezes, acontece por meio de pseudoidentificações na relação do indivíduo, fato este de representação infantil projetada no analista como forma de satisfazer aos seus desejos reprimidos.

É uma experiência que o paciente experimenta em cenário analítico na relação com seu analista. Esse vínculo terapêutico dual de amor e ódio ora é transferido defensivamente ora busca uma relação amorosa que permeia esse contexto.

A transferência tem seu valor em uma relação terapêutica, principalmente em quem faz análise.

Sigmund Freud, ao escrever o livro Interpretação dos sonhos, usou pela primeira vez o termo transferência como um fenômeno universal, no ano de 1900.

Sua utilização é conhecida como um processo de deslocamento de atribuição em relação a pessoas do passado para com pessoas do tempo presente.

Sabe-se que no universo da teoria psicanalítica a relação terapêutica em processo vincular analítico é atribuída como base estruturante do psiquismo.

Essa formação estruturante tem início desde a infância e se mostra como fenômeno na fase adulta no que tange às relações emocionais, chamadas de transferências, e ocorre quando os conflitos do paciente implica situações analíticas e que paralelamente decidem a aliança terapêutica.

Os mecanismos de defesa: compensação, projeção, negação, isolamento e racionalização surgem durante o processo analítico.

Esses elementos transferenciais, num primeiro momento, interferem na comunicação e distorcem a relação. Para a Psicanálise, no entanto, a transferência é essencial, pois esses estorvos na relação terapêutica são vistos como positivos e normalmente são observados pelo analista de modo quase imperceptível.

Portanto, é imprescindível que a escuta do psicanalista seja feita de corpo e alma, sem vacilar nesse momento para não abrir caminho ao distanciamento do cliente.

Aqueles que negam suas demandas psicológicas estarão acrescentando mais neuroses insatisfatórias e atribuindo ao outro culpas desnecessárias, uma vez que pensam que a raiz do sofrimento foi criada pelo outro, o qual é o próprio espelho para buscar seu reconhecimento.

A análise deve ser bem direcionada, com relação de zelo, respeito, cuidado e interesse ao que é relatado pelo cliente.

Cabe ao analista sentir-se por inteiro na relação vincular com seu cliente. Afinal, o resultado está consagrado na relação de autenticidade e verdade de cada um.

Em uma relação de análise na qual o analista não consegue manejar as demandas do analisando podem ocorrer repetições da história de ambos se manterem estacionados na relação, pois o analisando transfere e o analista contra-transfere.

O objetivo da transferência é o estorvo nas inter-relações, nas quais o indivíduo tem seu papel de buscar a satisfação de necessidades inconscientes depositada no analista, naquilo que lhe faltou, e procura a complementaridade no profissional analista daqueles que não conseguiram cumprir adequadamente as fases importantes e significativas na vida passada do analisado.

Nessa caminhada se constroem relações contrárias a determinados desejos pelo desconhecimento de que existe uma inconsciência na forma de se relacionar, que se manifesta resistente de modo a encobrir a exposição do que se encontra no inconsciente.

Isso pode ser visto por outras linhas psicológicas, em que a transferência pode ser impedimento para um bom desenvolvimento psicoterapêutico.

Para a Psicanálise, no entanto, é um fenômeno bem-vindo dentro do discurso analítico, pois o profissional consegue desenvolver um bom trabalho com aquele que está em análise.

É recomendado a quem deseja se tornar psicanalista transitar pela análise e buscar a cura pela fala.

Cliente de Freud, Anna, ao retornar do estado hipnótico, utilizou o termo (limpeza da chaminé).

Foi quando Freud viveu um dos períodos mais importantes de descoberta do processo vincular analítico (cura pela fala).

Entretanto, espera-se que o processo analítico vincular não crie dependência de contínuo desejo na relação entre analista e analisando, tanto da parte de um como também do outro.

O que acontece na Psicoterapia tem seu fundamento, pois se tratam de dados em esfera na inter-relação entre dois indivíduos: terapeuta e cliente, promovendo o processo psicológico.

Sabe-se que relações transferenciais não aparecem somente em Psicoterapias. Na verdade acontecem com frequência em contexto empresarial (empregado x chefe), em escolas (professor x aluno), meio familiar (pais x filhos e irmãos) e outros.

Nesse sentido, repetições de situações passadas são um feitio desproporcional e peculiar de afetos, identificações e demandas que se estruturaram pelo desconhecimento de determinados padrões do passado que geraram vínculos positivos ou negativos nas inter-relações.

Uma análise bem conduzida é aquela em que o analista se posiciona com todo o seu cabedal de conhecimento teórico, com constante prática, e se possível busca supervisões e capacitação para atuar e imprimir com sabedoria, proporcionando ao seu cliente insights e novas percepções a fim de encontrar seus direitos e suas responsabilidades.

O vínculo transferencial, primeiramente, pode estar recheado de demandas, dependência e depósito dos próprios lixos ao analista.

Posteriormente, a relação se modifica pelas ressignificações nas quais o próprio cliente avança amadurecendo.

Assim, identificações, projeções, negações, racionalizações, dependências e juízos distorcidos serão amenizados e este consegue se sentir mais adequado e mais leve em suas relações vinculares.

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